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No caminho do bom relacionamento com a comunidade

Uma grande empresa na cidade tem lá suas vantagens. O comércio ganha clientes, a prefeitura arrecada mais e a infraestrutura tende a melhorar. Imagine, porém, uma planta industrial no seu bairro, bem próxima à sua rua. Pense no tráfego pesado, no som alto das máquinas, no cheiro forte. Dá para entender por que o relacionamento com a comunidade do entorno está entre os maiores desafios da comunicação corporativa.

Dependendo da cidade (e do nível de negligência do poder público), os moradores não conhecem os benefícios econômicos originados pelo “vizinho rico”, embora convivam todos os dias com os inevitáveis transtornos que ele também traz.

Para a empresa, é importante que as comunidades do entorno estejam bem. Afinal, é lá onde boa parte de seu capital está sediado. Ou onde, na maioria dos casos, reside um contingente considerável de sua força de trabalho e de seus fornecedores. Nenhum desses colegas viverá satisfeito só por que tem emprego. Querem também, claro, morar num lugar seguro, com ar puro, sem muito barulho. Ações corporativas que beneficiem o local acabam resultando em empatia e até motivação dentro do ambiente interno.

Fora que o bem-estar do entorno é política de desenvolvimento sustentável. Um conceito que lemos em relatórios está expresso em missões e valores, mas muitas vezes não existe nas rotinas dos gestores. Sustentabilidade é mais do que coleta seletiva ou apoio a grupos ambientais. Compartilhar o crescimento também faz parte.

As estratégias são muitas e variam de acordo com a natureza do negócio. Entretanto, qualquer tipo de solução passará por diálogo e organização.  Os argumentos estão todos na mesa. Agora, como fazer esse relacionamento dar certo?

Criando canais de relacionamento com a comunidade

Cabe à empresa desenvolver canais para informar sobre seus projetos e também tirar dúvidas. Há exemplos positivos de linhas 0800 para atender a comunidade. As com boa estrutura abrem as portas para reuniões periódicas. Muitas conseguem ótimos retornos promovendo eventos em escolas, salões de igrejas e até praças.

Identificando as lideranças comunitárias

O diálogo é melhor executado quando se conhece os interlocutores. Saber quem são as lideranças e buscar aproximá-las facilita muito. Pelo efeito multiplicador desses agentes, a mensagem que se quer passar chegará a mais pessoas.

Sendo transparente

Como todo relacionamento é uma via de mão dupla, as demandas são inevitáveis. Sobretudo nas fábricas instaladas em distritos mais carentes, é comum os pedidos de trabalho, cestas básicas, material escolar e socorro médico.

Ao suprir essas carências, é importante deixar claro que a empresa não é o Governo, a câmara ou a prefeitura. Não é dela a responsabilidade, por exemplo, pelo policiamento nas ruas, pela manutenção de uma linha de ônibus ou pela construção da rede de esgoto.

Estimulando uma comunidade ativa

Mesmo não sendo poder público, a empresa deveria, como todos nós, contribuir para a formação de uma sociedade mais justa. Para isso, a empresa não precisa, necessariamente, aumentar custos ou promover melhorias. Muitas vezes, basta um pouco de orientação.

Nos encontros com as lideranças, por exemplo, vale estimular a fundação de um comitê comunitário que fortaleça a voz dos moradores junto às esferas políticas. Ajudar a criar uma comunidade ativa e organizada pode ser um legado tão ou mais relevante quanto os tributos e empregos. Até porque as empresas se mudam ou fecham, enquanto movimentos desse tipo seguem construindo vizinhanças, cidades e países melhores.

Sobre o autor: 

Thiago Silverio

Thiago Silvério é graduado em Jornalismo. Atuou em redações de veículos nacionais e na comunicação corporativa de grandes empresas. Na Partners, realiza o atendimento de comunicação interna na Petrobras.